Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

Entre a lama e o amor

 


Pintura de Ana Muñoz

 


Despertei com vontade
de acordar o Sol
na penumbra do amanhecer.

Cansado da noite,
- a lua adormecera
no nevoeiro dos seus braços -
o sol descansou na berma
do alvorecer e na perpétua
ondulação do verde da aragem.

Através do sibilante som da folhagem
os pinheiros albergam os primeiros raios
tímidos de luz.

Velozes, partem silhuetas
por entre o verde ondulante da ramagem
onde os pássaros nos seus ninhos
já com penugem nas asas
encetam, temerosos, o caminho
que os levará, ousados, aos telhados das casas

Ao longe, um quase som de Jazz
que lembra Coltrane por entre
ondas azuis de nuvens
ávidas de palavras púrpuras,
entre lábios de sabor a mel
desperta a cidade adormecida.

Neutro o coração que não geme
a dor do desconhecido, a comoção
do sentimento partilhado ao leme da Vida.
Resiste a cidade na estreiteza de conceitos
como definição da rima interior
- entre a lama e o amor -

Enquanto debaixo de chuva e sol
houver, feridos de silêncio, crianças chorando,
velhos dormindo no cimento ou mulheres
naufragadas na palma do sonho
do seu próprio abandono,
meu coração estará em pranto
e deste mundo desiludido.

 

  

 

tags:
publicado por Menina Marota às 23:35
| comentar | Acompanhe-me
|
:
De A.S. a 7 de Outubro de 2010 às 22:47
M.M.


Há silêncios que parecem gritar a eternidade, quando os gestos e as palavras reflectem a renúncia e vestem a farda da indiferença no jogo patético das distracções!


Um abraço... e saudades!
AL
De Menina Marota a 3 de Setembro de 2011 às 14:13
Quase um ano depois, ando  a responder a comentários! Um pretexto para mandar um Abraço
De Nilson Barcelli a 8 de Outubro de 2010 às 00:02

Continuas a fazer poesia na esfera da excelência.

Eternamente poeta...

Beijos, querida amiga.
De Menina Marota a 3 de Setembro de 2011 às 14:15

Nilson, como é bom saber-te aqui a ler-me...
Um grande Abraço e tudo de BOM

Comentar

Sensibilidades...

Regresso

uma parte de mim

Sentidos

Bom Dia!

Sereinement...

Voláteis gaivotas

A hora do encanto...

Ouro negro

Amanheço-me

Poema sem nome

Pés na Areia

Reciclagem

Fragile

Sons diáfanos...

O vento da utopia

Momentos meus...

Rota da vida

Vida

O vento e o tempo.

Talvez

Bom Dia!

Sons do vento

Dizem

Olhos de Vida

Sentires

Oceano dos sentidos

Dádivas de amor

Sentires...

Da minha janela

Bom dia...

Almas Pretéritas

A minha alma anda aqui...