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Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

15
Fev19

Um dia

autor desconhecido

O sol arrastou-me para o mar. O vento fez-me deslizar na areia ainda húmida. O pensamento voou em memórias eternizadas conjugadas na dança das gaivotas que, solenes, ondulavam na crista das ondas.

A música que embala meus sentidos evoca momentos e locais.
E deixo-me levar

Um dia voltarei
à casa da minha infância,
cenário de princesas e cavaleiros,
que a minha memória perpetua.

Um dia
alguém tocará o piano
que geme a angústia
do desaparecimento
dos dedos que o acarinhavam,
invariavelmente de
Schumann a Boulez,
enquanto meus olhos
os seguiam amorosamente.

Um dia
as janelas abrir-se-ão
deixando entrar
o sol da minha emoção;
sorrirei para as
rugas do meu rosto
fecharei o espelho
da minha memória
e deixarei a casa partir.

Um dia…

 

02
Jan19

ESPAÇO SIDERAL

 Visão de Giordano Bruno

 

Um dia
somos crianças,
irreverentes,
audazes, corajosas.
Um dia
descobrimos,
a real virtude do mundo,
ou a irrealidade das coisas
que o compõem.
E o sonho?
Onde fica o sonho
de tudo o que esperamos?
E a dor
de tudo o que perdemos?
Do que sentimos?
Importa?
Sorrimos para a dor.
Quem a vê?
Quem a sente no nosso íntimo?
Inolvidável a cicatriz aumenta.
Uma a uma.
Invisível.
A vida continua.
No espaço sideral
nada se perde.
Tudo se recria e permanece.
Ontem que já é hoje.
A infância lá longe
curva-se ao instante que
antecede o amanhã.
Somos o tempo.
A roda gira
e, nela,
todos nós.

15
Mai18

Pássaro

Jaroslaw Kukowski

 

 

Abraço o pássaro
que carrega nas penas
a força do vento
e transporta em si
o mistério infindável
das nuvens
e das gotas de chuva
que tecem o firmamento.

Voa pássaro
que adejas sobre as ondas
e nelas vês sereias
a cantar no imo do mar.

E ao longe
entre rios e lagos
planícies e montanhas
nas asas do tempo
não te detenhas.
Voa. Voa.

 

 

 

11
Abr18

Não sei escrever poesia

Autor desconhecido

 

Não sei escrever poesia,
digo para comigo.
Como se escreve?- pergunto-me.
Mas se a sinto no coração.
Numa flor.
No sol a pôr-se no mar.
No canto do melro,
na minha janela.
No riso de uma criança,
ao colo de sua mãe.
Na paixão dos enamorados,
nas lágrimas dos abandonados.
No grito do pescador,
quando a rede se enche.
No grito de dor da mãe,
mas quando o filho nasce o recebe
com sorrisos de alegria e esperança.
No mal. No do mundo. Na perversidade de tantos.
Nos que querem a guerra
e, outros, a paz.

Nos homens e mulheres
que fazem da esperança
seu Hino.


Como, não posso escrever poesia?

 

 

Imagem Google

07
Abr18

Estar em paz

amoreno

 

Um dia destes alguém me perguntou:
- Tu estás feliz? - Assim, sem mais nem menos, no meio de uma conversa, que estava a tornar-se numa lenga-lenga.
Olhei para as pontas dos meus dedos e, instintivamente, comecei a enrolá-los nos caracóis do meu cabelo.
- Estou em paz.
Sim, é verdade.
Enquanto estar feliz, é como estar-se apaixonada, pensa-se que se pode tudo e, tudo ao nosso redor está definitivamente certo, em harmonia com nossos planos, mas lá bem no fundo, existe alguma coisa que diz, que isso pode não ser eterno... qualquer coisa fora do círculo harmonioso do nosso sentir, pode acontecer e a infelicidade bater no nosso coração num instante...
Paz é diferente.
Certas coisas manifestam-se por si só... Só nós as conhecemos, só nós as sentimos.
E mais importante, sabemos que mesmo nos momentos mais infelizes, nos momentos mais críticos, o saldo pode ser positivo.
Tudo muda.
Até os nossos sentimentos e a visão que temos deles.
Enquanto a felicidade, pode ser apenas um instante, a paz pode ser duradoura.
– Que pena... eu queria, apesar de tudo, que fosses feliz.
Olhei através da janela e sorri...

Nem todos estão prontos para entender a diferença.


(Texto de Janeiro 2005)