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Alma Minha...

Alma Minha...

18
Ago10

Sentidos de Vida

Jacob Collins

Pintura de Jacob Collins



Se tenho dois pés para caminhar
por caminhos floridos ou serras
agrestes e sinuosas

duas mãos para segurar tudo aquilo
que quiser, menos o tempo que passou,
mas que delas me sirvo, para afagar,
comer e escrever

um coração a bater, num corpo que
estremece, a cada lágrima que vejo
nas crianças sem sorrir, nos pobres a pedir
nas mulheres maltratadas, nos animais
abandonados, nos cegos que caem nos
passeios por arranjar e, de tão estreitos serem,
nem uma cadeira de rodas lá pode permanecer

se tenho uma alma que acredita num Deus
que criou um dia o Universo, e o fez à sua
imagem e semelhança, dando-nos as quatro
estações do ano, para que tirássemos proveito
de sentirmos a música da natureza,
as cores das flores, o sabor dos frutos, a sensação
do mar no nosso corpo a bailar,

se tenho dois olhos e com eles vejo o bem e o mal,
o poder destrutivo, a complacência de muitos,
o povo amordaçado das palavras que não diz,
os que sobem por caminhos errados e os que
descem aos infernos por não serem seus aliados

se tenho uma boca que tanto serve para beijar
como para observar num grito de revolta
aquilo de que não gosta nas gentes egoístas
que, sem conta nem medida, oprimem os seus pares

se tenho um nariz que detecta o odor que me diz
ser bom ou mau o produto que eu quis

faço do ouvir o que quiser e com ele ouço
somente os sons da natureza, a música das almas
singelas, a melodia que o vento traz
em palavras amenas, verdadeiras, livres de
hipocrisias e cinismos e com elas desenho
a pauta dos sons que a música me oferece
na junção de sentimentos e poemas
e louvo o génio bendito daqueles que, na
grandeza serena da Vida, viveram.

 

 

 

 

  

Nota: Escrito ao som das Quatro Estações de Vivaldi, na tarde de Sábado, 19 de Junho de 2010

         (Escrito originalmente no FB)