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Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

30
Ago10

Olhos de chuva

 (Imagem de Andrew Sankey)

 

 

 Quando em mim

o céu se faz nuvem

o mar

voz dos barcos que partem do cais

 

e as estrelas do firmamento

velas flutuando

ao sabor das marés

 

meus olhos

são chuva miudinha

que cai

embalando as ondas

 uma a uma

 na praia dos meus sonhos

e se espraiam a meu pés.

 

 

27
Ago10

Tempo

Imagem de Igor Zenin

 

 

 Houve um tempo

que os meus olhos sorriam,

o meu coração rejubilava

a cada palavra que de ti vinha

e eu acreditava.

 

Houve um tempo

que a tua voz era cetim

quando o teu amor apregoavas

sussurrando palavras doces

e aos meus ouvidos

as  murmuravas.

 

 Ah…. efémeros tempos!

A ingenuidade de acreditar que só

a mim dirigias o teu escaldante sentir.

 

Houve um tempo...

 

 

26
Ago10

Tão Breve

 

 

 

 

 

Breve

o sonho.

 

Breve

o encanto.

 

Imenso

o sentimento de desencanto

em nuvem passageira.

 

Fui.

Fomos. 

Alma e Poesia.

 

Encantamento

que se perdeu

nos minutos do

 Tempo.

 

Breve.

Tão breve...

 

     

25
Ago10

Canto das palavras

Leyla Emektar

Imagem de Leyla Emektar

 


Do horizonte recebo o sol
que canta ao infinito

 

sua canção de embalar,
na suavidade das ondas

 

que galgam sob a espuma

o imo do mar.

Entre a oscilação estonteante
(de silêncio e capricho teu)
na torrente que serpenteia dois mundos

ouço o canto na orla de todas as palavras.

E a distância traz-me de volta
sussurros de promessas
rumo ao porvir que não será meu.

25
Ago10

Levemente erótico...ou não...

 

Alex Krivtsov

Imagem de Alex Krivtsov

 

A água corre silenciosamente da torneira e uma ténue linha de fumo desenha-se no espelho à minha frente, enquanto preparo os sais e as essências onde me quero banhar.

A música toca baixinho. Ao som da RFM dispo-me lentamente, numa sincronia perfeita, respondendo ao apelo da música difundida no Oceano Pacífico.

Acendo meia dúzia de velas, dispostas religiosamente, que acentuam ainda mais a luminosidade transmitida através do espelho.

O tema da música inebria os meus sentidos e, calmamente, entro na água tépida da banheira.

Embalada pela voz sensual, nem me apercebo do tempo que passou quando sinto a sua presença, olhando-me com olhos malandros enquanto despe calmamente a roupa que cai a seus pés.

Fixo o corpo nu à minha frente e sorrio, num convite descarado, que ele aceita sem hesitar.

Sinto as mãos percorrerem-me como que acompanhando a melodia e deixo-me arrastar…

Os meus lábios sequiosos percorrem a sua pele impedindo as mãos de me tocar. Quero ser eu a comandar os meus desejos e explodir o frenesim que pressinto em mim.

Busco nele a força que aumenta o meu desejo.

Um tremor perpassa-me quando sinto o seu calor e ergo-me vigorosamente em ondas que vão e vêm em busca do orgasmo que sinto dentro de mim.

Arranho os seus ombros, penetrando-me cada vez mais fundo, enquanto sinto os lábios húmidos correrem o meu seio, mordiscando-me de uma forma que me deixa completamente louca.

Não tenho forma de impedir a agitação que me deleita deixando-o cada vez mais próximo da explosão que eu tento controlar temendo o fim que se aproxima.

De repente, a força do seu abraço força-me a mergulhar e sinto que nada pode impedir o vigor abrasador que, numa convulsão, mergulha até ao fim em mim.

Tremo, numa sintonia espasmódica que não consigo impedir, enquanto a música de fundo continua a tocar.

Abro os olhos. Que loucura a minha! Tremendo de frio, sozinha, neste sonho, deixando as velas apagar.

 

 

 

(texto de 23.Maio 2005, originalmente no Eternamente Menina II) 

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