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Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

18
Ago10

Revisão

Imagem Google sem indicação de autor

 

 

Hoje revi todo o ano que passou.
Confesso que ri, sorri, gargalhei.
Chorei… oh se chorei…
Por tanta coisa perdida,
engolida no orgulho,
do coração de mulher valente
que pensa somente pela sua mente.

Confesso, confesso… sou afinal
uma rapariga que a ninguém quer mal
mesmo quem não a compreendeu
e que ela amou
mas que a violentou
no mais profundo
do seu ser.

Ao som do piano
que ouve incessantemente
nada há que a faça cair
que a faça tremer.

Ó rapariguinha de coração ardente
que lutas, que choras,
mas que no coração albergas
a maior das vitórias,
porque no amor tens fé
não admites derrotas
e ris de ti,
dos teus medos,
e de quem secamente te diz

que nada és.

Não implores.
Não sufoques.
Ouve apenas
o som do piano e recorda

a menina que foste
rodopiando, rodopiando,
apaixonada
ao som do piano
que para ti tocava.

O ano terminou e dele,
afinal, nada restou.

 

 

 

 

(Poema escrito em 31 de Dezembro de 2009 originalmente no FB)

18
Ago10

Doçuras de Verão

 Nela Vicente

Pintura de Nela Vicente

 

 

No meu mundo secreto
entre búzio azuis
algas verdes marinhas
invento poemas
soltando meu sorriso
na imensidão do mar
cabelo ao vento
coração a bailar
pés descalços na areia
ao som do violoncelo
eu quero fantasiar

Como mel
- chantilly,
doçura na tua boca –
no meu corpo
a cinzelar
teus olhos castanhos
no bico da minha alma
me querem beijar

Tu és fogo
eu sou chama
tu és brasa
que inflama
acordando
o trovão
que nossos corpos
clama

 

 

 

 

 

 

18
Ago10

Fácil

 

Ragne Sigmond

Art by Ragne Sigmond 

 
 
 
É tão fácil acreditar e desacreditar.
É tão fácil aceitarmos a alegria e
tão difícil aceitarmos a perda,
seja ela qual for.

Sonhamos a liberdade,
até a de pensarmos que
temos liberdade de sonhar e sermos livres.
Mas seremos afinal livres?

Sonhar é fácil.
Como voar...

Voamos na aragem do tempo,
na utopia que tudo permite e
nos oferece o acontecer.
 
É livre o pensamento,
é livre o amor que povoa os corações,
é livre a música que compõe a melodia,
é livre o mar que de onda em onda nos vem banhar,
é livre o olhar que nas cores do mundo se quer encantar.

Sorrimos à liberdade da Vida.
Desejamos ser pássaro e voar
por entre as nuvens, alcançar o firmamento,
transformando-nos num ponto visível do cosmos,
onde tudo pode acontecer.

Há dois tempos de vida eternos.
Nascemos e morremos
sem querermos.
Esta é a verdadeira
Liberdade do Universo.
 
Tudo o resto
é o que conquistamos
por acréscimo.
 
 
 
(Originalmente escrito no FB)
 
 
18
Ago10

Bloco de gelo


Imagem de Marta Dahig


Ao início da tarde coloquei
um bloco de gelo no coração.

Deu-me fome e sede
recolheu-se a inspiração.

Fui ao frigorífico
peguei nos morangos
passei-os pela água gelada
que escorria do meu peito.

Numa taça de cristal os coloquei.

Reguei-os com champanhe
decorei-os com chantilly
e percebi, afinal, porque tinha colocado
a tal pedra de gelo a derreter
num local que habitualmente está a ferver.

Era um apetite voraz de sentir na boca,
não um beijo apaixonado,

mas o saboroso paladar
de uns belos morangos

carnudos e vermelhos.

 

 

(Escrito originalmente no FB)

18
Ago10

Quimera

 Pintura de George Frederic Watts

George Frederic Watts  

  

 

Todos nós sabemos que nem todos os sonhos se realizam; uns demoram uma infinidade de tempo a concretizarem-se, outros…irão vaguear eternamente em sonhos.

Mas num desses sonhos, de um momento para o outro, encontrei-me a sós com o próprio sonho... para quê negá-lo: há muito desejava este encontro.

O meu corpo vibrava ansiosamente enquanto nos cumprimentávamos num beijo cândido que não traduziu o fogo que o seu corpo, encostado ao meu, provocou em mim.

Conversámos, mergulhámos nos olhos um do outro, as mãos tocaram-se...

Absorvemos o perfume de cada um, sentimos que as nossas peles se entendiam.

De súbito, convida-me a sair dali, para podermos estar sozinhos; ia jurar que não lhe respondi que sim...nem que não.

Sei que me pegou na mão e, conversando com a maior naturalidade, voámos para local onde povoam os sonhos e pelas brechas do entendimento que o meu coração permitia, dado o estado de êxtase em que estava pela realização de algo que nunca imaginara possível, ainda percebi da horrível demora em chegarmos.

A ansiedade tomava conta de mim quando, com gentileza, convidou-me a segui-lo e daí a abraçar-me, foi o tempo que o tempo não mede.

Foi um longo, longo abraço. Não pronunciámos palavra, apenas nos apertámos, corpo contra corpo e voámos.

A imaginativa abertura de uma garrafa de champanhe foi o ponto alto que comemorou o nosso encontro e diante um do outro, olhos nos olhos, enlaçámos o braço que segurava o copo e bebemos ao mesmo tempo que selámos a nossa condição de...apaixonados.

Se até aí eu tinha dúvidas neste gesto ficou a certeza para a vida: eu seria dele, para sempre, no imaginário que povoa os meus sonhos…

O seu corpo aperta-se contra o meu e tomando o meu rosto nas suas mãos beija-me demoradamente os olhos, enterrando os dedos nos meus cabelos; leva a sentar-me num pequeno maple e coloca-se a meus pés, pousando a cabeça no meu colo serenamente, enquanto as suas mãos tacteavam o meu corpo.

As minhas, lentamente, afagavam o seu cabelo macio, enquanto ele, ousadamente, continuava em peregrinação tocando-me delicadamente a pele, detendo-se no seio visível por debaixo do fino tecido.

Os seus lábios, macios, tocam os meus num beijo que sorve o hálito um do outro. Sem resistir, deixo-me acariciar, enquanto penso que sonho me transportou para aquele momento…

Sentou-se a meu lado e, de súbito os meus sentimentos explodem numa vertigem inimaginável… estamos nos braços um do outro e, como um raio, esse gesto entrou-me na alma a dizer: ele tomou-te, serás dele…. Já não é ele, apenas, que te possui; agora és tu que o vais tomar para ti.

A excitação apodera-se de todo o meu corpo; a respiração, cada vez mais apressada, provoca-o, eu solto a minha paixão: a minha boca procura-o, primeiro suavemente, depois com o frenesim que já não consigo ocultar.

Os meus lábios sugam a sua pele e os seus beijos dominam-me. Deixo-me levar pela ardência do desejo e as minhas mãos procuram-no com ímpeto.

Ainda não sei porque parei nesse momento único. Estava ofegante, feliz, nas nuvens da paixão. O meu corpo era uma explosão de sentimentos há muito não percebidos.

Nada parecia crer que iria descer à terra. Mas desci. E o sonho terminou ali, naquele breve instante em que os nossos corpos mal se tocaram. O seu rosto povoa-me os sonhos. A fantasia inunda-me a alma...

Quando abri os olhos, ainda com a mente povoada de doces ilusões, nada restava… a não ser a realidade, a minha tão terna realidade… porque sonhos… serão eternamente sonhos.

Nos sonhos nada se consubstancia... são, apenas, uma mera ilusão… imaterial.



No eterno sonho dourado
dos teus olhos
longe de tudo
a madrugada passou
a água esculpe na montanha
rios límpidos e transparentes.

O crepúsculo partilha os teus momentos
e a espera da manhã
colhe as flores do amor
que existe no coração
em suave brisa
que acaricia o sol
e sente
a ternura do
vento.



  
18
Ago10

Sentidos de Vida

Jacob Collins

Pintura de Jacob Collins



Se tenho dois pés para caminhar
por caminhos floridos ou serras
agrestes e sinuosas

duas mãos para segurar tudo aquilo
que quiser, menos o tempo que passou,
mas que delas me sirvo, para afagar,
comer e escrever

um coração a bater, num corpo que
estremece, a cada lágrima que vejo
nas crianças sem sorrir, nos pobres a pedir
nas mulheres maltratadas, nos animais
abandonados, nos cegos que caem nos
passeios por arranjar e, de tão estreitos serem,
nem uma cadeira de rodas lá pode permanecer

se tenho uma alma que acredita num Deus
que criou um dia o Universo, e o fez à sua
imagem e semelhança, dando-nos as quatro
estações do ano, para que tirássemos proveito
de sentirmos a música da natureza,
as cores das flores, o sabor dos frutos, a sensação
do mar no nosso corpo a bailar,

se tenho dois olhos e com eles vejo o bem e o mal,
o poder destrutivo, a complacência de muitos,
o povo amordaçado das palavras que não diz,
os que sobem por caminhos errados e os que
descem aos infernos por não serem seus aliados

se tenho uma boca que tanto serve para beijar
como para observar num grito de revolta
aquilo de que não gosta nas gentes egoístas
que, sem conta nem medida, oprimem os seus pares

se tenho um nariz que detecta o odor que me diz
ser bom ou mau o produto que eu quis

faço do ouvir o que quiser e com ele ouço
somente os sons da natureza, a música das almas
singelas, a melodia que o vento traz
em palavras amenas, verdadeiras, livres de
hipocrisias e cinismos e com elas desenho
a pauta dos sons que a música me oferece
na junção de sentimentos e poemas
e louvo o génio bendito daqueles que, na
grandeza serena da Vida, viveram.

 

 

 

 

  

Nota: Escrito ao som das Quatro Estações de Vivaldi, na tarde de Sábado, 19 de Junho de 2010

         (Escrito originalmente no FB)

18
Ago10

Acordar

(Imagem de autor desconhecido)

 

  Acordaste-me

na sombria madrugada

em que meu coração

padecia.

 

Caminhei para ti

sonâmbula de sombras

pisando serenamente

cada lágrima

que do meu rosto corria.

 

E o meu olhar

fundiu-se num sorriso

olhando o mar

que calmamente saía

dos teus olhos

sorrindo para

mim.

 

 

 

(Originalmente escrito no FB)

18
Ago10

Universo

Imagem de E. Amer

 

 

 É neste Universo

que sinto,

nas memórias de mim,

o renascimento da alma

em fogo e paixão

estrelas e lágrimas

sol e lua

amor e desamor

no sentir imutável da vida

onde se constrói e destrói

cada instante.

 

É neste Universo

onde me dou,

me vejo e revejo,

no sentir diáfano de cada estrela

que partilha o céu da existência

e comigo

comunga sentimentos serenos

onde a Poesia e a Música

para sempre permanecerão.

 

É este o Universo da minha existência!

 

 

 

 

 

(Originalmente escrito no FB)

18
Ago10

Nas asas do sonho

Borboleta Natal na Sandra

 

 

  Voo nas asas do sonho, no azul do céu que me cobre.
Em asas de borboleta vagueio na ternura do amor
que me guia para lá do infinito na alegria partilhada,
luz dourada do pensamento que a vós me une

Voo em palavras aladas que permanecem
na memória constante do sorriso do meu olhar
que sente o odor das madressilvas na terra molhada,
onde as borboletas vagueiam como sonho do verbo amar

No campo aberto da minha vida, madressilva serei.
No desafio imutável do tempo, onde persiste a dor,
me devolverei ao mundo sonhando na raiz do pensamento.

No mar constante da vida entrego-me, qual borboleta
de asas azuis, ao mistério do sol que ilumina as horas
dos meus dias de incertezas, mas também de alegrias. 

 

 

 

 Foto Pessoal