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Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

19
Ago10

Apenas um instante

claudio partes

 



 

Hoje acordei com vontade de dizer que tenho saudades do teu abraço, dos teus lábios macios, tocando levemente os meus, das tuas mãos acariciando a minha nuca, deslizando suavemente pelo decote do meu seio. 

Ah… o sonho… a facilidade de tornarmos tão real pensamentos íntimos que nem a nós próprios queremos, por vezes, confessar.

Gosto de imaginar a tocares-me e, tímida, afasto-te, mas ao mesmo tempo, o fogo do teu corpo encostado ao meu, abre em mim desejos que não quero olvidar.

Recordo os teus olhos, malandros, plenos de vida e carícias; deixo-me afundar, em sonhos, neles…

Existe vida para além dos muros de silêncio em que te encerras”, digo a mim própria, em determinadas alturas, quando me sinto sufocar nas quatro paredes da gaiola de ouro onde me confino diariamente.

Olho o meu corpo, carregado de desejos e ternuras; sinto-me em metempsicose, como que, numa outra vida, a viver aquilo que me está vedado…

O meu pensamento vagueia no infinito: pode uma mulher anular dentro de si o apelo da natureza ou deixa que a explosão dos seus sentidos possa quebrar e banir padrões tradicionalmente impostos?

Valerá a pena o sacrifico de deixar morrer o seu corpo, carente de afectos e desejos, incapaz de conseguir quebrar esses mesmos padrões que lhe impuseram?

Dentro da minha alma o sonho permanece … fogo, suor, caminhos por desvendar. 

Nas tuas mãos me entrego. Juntos encetamos a viagem a todo o universo, meu coração e corpo conjugam o verbo amar, em todos os tempos…

 

Dizer da palavra amar,
falar dos sentidos da alma,
dos desejos avassaladores,
das noites mal dormidas,
acalentando sonhos por realizar.

Dizer da palavra tempo
que não existe
na nossa memória,
oscilando, suavemente,
à brisa do entardecer,
por entre almíscares
que se colam na nossa pele.

Dentro de mim
há um espaço para voar
que emerge do oceano
dos sentidos e flutua
na consistência do ser.

Porque o sonho dura
apenas um instante…

 

 

 

(6.Janeiro.2009)

Desenho de Cláudio Partes

19
Ago10

Figuração de um sonho

Renso Castaneda Zevallos

 

 

No deslumbre do amor,
vida, corpo, voz,
algodão doce, no céu azul,
que se descobre pela manhã
incutido no mesmo espelho e
esculpidos no espírito
(cumplicidade da memória)
das almas que se tocam
bravias, sedentas, arrojadas,
por entre o cheiro da terra molhada.


Dentro da imaginação
não existem rituais,
mas ondas invisíveis
movendo portas e janelas,
sopradas nos dias de calmia,
gravadas, palavra a palavra,
na areia da vida, voando,
sem asas, através dos ventos,
como barcos que velejam ao sabor
de cada corrente


Beijar e dormir na tua pele nua
no abraço que me fez tua,
figuração fervente de um sonho
que permanecerá na minha mente.

 

 

 

Pintura de Renso Castaneda

 

(11.Março.2009)

19
Ago10

Sou quem sou

Cristiane Campos

 Pintura de Cristiane Campos



Nada direi de ti,
nem um só pensamento.

Num assomo, lentamente,
meu peito desgasta-se de palavras
que se repetem textualmente

pacientes, de toda a matéria que
se pressente para lá do que se não vê,
nem se imagina.

Entreaberto, como uma janela, meu coração
vislumbra o ocaso, em fragrâncias
de pétalas por entre caminhos
etéreos percorridos de mão em mão.

Sou quem sou.

Nesta forma de ser
não há espaço para intervalos
passeados entre os sentimentos
de olhos que nada vislumbram
nas profundezas da alma.

Rasgo meus sentidos e
abro a janela de sensações flóreas
para lá de todos os laivos de vida
que se sentem nas marés perdidas.

Hoje nada direi de ti.

Porque as palavras estão caladas
sossegadas, no fundo da alma,
e aí permanecerão.

 

 

 

(10.Junho.2009) 

 

 

19
Ago10

Natureza

Gisele Bundchen

Fotografia de Gisele Bndchen

 

 

Ó espírito de inquietos e cândidos sonhos
que buscas na intemperança e volúpia do desejo
o calor da alma pressentida no júbilo da razão.

 

Deitas-te na terra húmida entre musgo verde

e adormeces na tempestade que o céu serenou.

 

Na terra orvalhada em chão de prata
onde o amor lavra e a chuva perdura

em palavras amenas que o coração dita
embarcas no sonho e na magia

que a neve da frieza em rocha dura não matou.


Não iludas o que aprouvera dos teus sonhos.

 

Falsa a magia do momento.

Na natureza nunca nasce a mesma água de parecida fonte.

 

 

(9.Nov.2008)