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Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

23
Nov17

Quando...

Otília Martel

A chuva foi pouca.
Nem deu para limpar o pó dos telhados nem mesmo chegou às raízes das árvores.
Mas choveu e ventou.
Sabe bem sentir o Outono desta maneira. Os cheiros inundam o ambiente. Terra molhada. Ou a romã, a abóbora, aos frutos secos da época.
Sabe bem aconchegar o cachecol. Sabe bem sentir o cheiro nas chaminés e pensar nos assados no forno a deixar a casa quente.
Sabe bem sentir o Outono. Desta maneira. Sempre gostei e gostarei...

🌻Mala Limeunhee

Quando
minha alma não sonhar
meu olhar não sorrir
minha boca não sussurrar
Quando
meus dedos não mexerem
minha mente não vaguear
meu coração não palpitar
Quando
as palavras nada disserem
o mar não perturbar
e o vento não sacudir

Os barcos ficarão no cais
as aves ficarão nos ninhos
a natureza perderá o brilho

Eu deixarei de existir.

 

22
Nov17

No murmúrio do vento

Otília Martel

Voltei do passeio habitual.
Cheiro a chuva, que ainda não cai, no vento que sopra no meu rosto. Gosto dos dias assim.
No ar, sinto o cheiro de uma qualquer lareira já acesa. Recordo os meus dias juvenis de calor abrasador, de alma desconhecendo as agruras de tempos infindáveis.
Com muito vento e chuva dias e dias se passaram retendo em mim a pureza dos tempos e das gentes que por mim cruzaram. Recordei esses dias e com eles no olhar caminhei na areia húmida da minha praia preferida.

Bom dia! 🌻

Angie Farr

No murmúrio do vento
nas folhas que vão caindo,
sinto a brisa no olhar dos pássaros
que, por entre a claridade do dia,
vão passando.
No murmúrio do vento
recordo a infância
pássaro de asas abertas sorrindo
ao tempo nas vagas do oceano.
No murmúrio do vento
sou ar vento mar quebrando as vagas
nas areias adormecidas do teu olhar.


Art: Angie Farr

16
Nov17

Dias desertos...

Otília Martel

Gosto de dias desertos. Calmos.
No azul, a sonoridade do mar. Das gaivotas.
No vento, o sibilo dos marinheiros. Nos barcos. Ao longe.
Gosto do entardecer prateando as ondas.
Sentada na esplanada, qual cais de vida, a amizade envolve os sentidos.
São ínfimos os pensamentos perante a grandeza da paisagem.
E, nestes momentos, sinto-me um grão de areia no Universo.

🌻
Gaivotas lago Senhor da Pedra

Fotografia tirada esta tarde no meu local preferido.
As gaivotas banhavam-se, descontraídamente, como crianças brincando numa tarde solarenga.
Foi encantador de se ver.
E encheu de ternura o meu coração pela beleza do momento.

14
Nov17

SOBREVIVÊNCIA

Otília Martel

David Hoffrichter

Era o vento.
Era o vento que me empurrava.

Era o vento. Era o vento.
E em seus braços me deitava.

Era o fogo.
Era o fogo das suas mãos que me queimava.

Era a mente.
Era a mente que tudo suportava.

E a raiva. E o medo.
Nos caminhos que caminhava.

Era o mar.
Era o mar em cujas ondas navegava.

Era o mundo.
Era o mundo cuja dor governava.

Era a morte.
Era a morte que por milagre evitava.

Era a vida.
Era a Vida por Amor apetecida.

E era eu.
Era eu que sobrevivia.

 

Arte: David Hoffrichter