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Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

20
Jun13

O vento da utopia

Claude Thberge

Pintura de Claude Théberge



É primavera.

No meu coração florescem
raízes de memórias
mescladas de rosas e jasmins
no perpétuo movimento
da engrenagem do tempo.

Um leve toque
um pequeno som
distinguem-se de tantos sentimentos
que perduram no vento
da utopia.

Breve é o sonho
que nos aproxima.

Um sorriso
dilata a artéria
desta imensa vida
onde nada se perde
tudo se transforma
até a existência perdida.

 

 

 In, Olhos de Vida, pág 17
(Otília Martel/Menina Marota)

07
Set10

Frugal utopia

 (Imagem de Willy Marthinussen)

 

 

Ela apaixonara-se pela ideia da imagem

que ele tudo fizera por transmitir. 

 

Ele apaixonara-se pela ideia

do que pensava que ela iria ser.

E não foi!

 

Nenhum deles,

afinal,

estava apaixonado:

ambos estavam equivocados

na visão do que cada um fazia do outro.

Pura utopia!

 

E, dos frugais ensejos que tiveram,

nada restou. 

Apenas dois desconhecidos.

 

25
Ago10

Levemente erótico...ou não...

 

Alex Krivtsov

Imagem de Alex Krivtsov

 

A água corre silenciosamente da torneira e uma ténue linha de fumo desenha-se no espelho à minha frente, enquanto preparo os sais e as essências onde me quero banhar.

A música toca baixinho. Ao som da RFM dispo-me lentamente, numa sincronia perfeita, respondendo ao apelo da música difundida no Oceano Pacífico.

Acendo meia dúzia de velas, dispostas religiosamente, que acentuam ainda mais a luminosidade transmitida através do espelho.

O tema da música inebria os meus sentidos e, calmamente, entro na água tépida da banheira.

Embalada pela voz sensual, nem me apercebo do tempo que passou quando sinto a sua presença, olhando-me com olhos malandros enquanto despe calmamente a roupa que cai a seus pés.

Fixo o corpo nu à minha frente e sorrio, num convite descarado, que ele aceita sem hesitar.

Sinto as mãos percorrerem-me como que acompanhando a melodia e deixo-me arrastar…

Os meus lábios sequiosos percorrem a sua pele impedindo as mãos de me tocar. Quero ser eu a comandar os meus desejos e explodir o frenesim que pressinto em mim.

Busco nele a força que aumenta o meu desejo.

Um tremor perpassa-me quando sinto o seu calor e ergo-me vigorosamente em ondas que vão e vêm em busca do orgasmo que sinto dentro de mim.

Arranho os seus ombros, penetrando-me cada vez mais fundo, enquanto sinto os lábios húmidos correrem o meu seio, mordiscando-me de uma forma que me deixa completamente louca.

Não tenho forma de impedir a agitação que me deleita deixando-o cada vez mais próximo da explosão que eu tento controlar temendo o fim que se aproxima.

De repente, a força do seu abraço força-me a mergulhar e sinto que nada pode impedir o vigor abrasador que, numa convulsão, mergulha até ao fim em mim.

Tremo, numa sintonia espasmódica que não consigo impedir, enquanto a música de fundo continua a tocar.

Abro os olhos. Que loucura a minha! Tremendo de frio, sozinha, neste sonho, deixando as velas apagar.

 

 

 

(texto de 23.Maio 2005, originalmente no Eternamente Menina II) 

10
Jul10

Olhar dentro da alma...

o meu fiel Sting...

 

   

Estirada numa das cadeiras do terraço depois de todas as lides primárias domésticas serem tratadas, tais como... as plantas, os peixes, o passeio matinal, os pássaros, as roupas, etc, etc... descansei na frescura que, a esta hora, ainda desfruto num dos lados da casa e, de olhos semicerrados, olhei para dentro de mim.

Olhei... não com o olhar que miramos quem passa, ou reparamos nas folhas que se agitam, para lá da verdura que a vista alcança, mas com aquele olhar refinado que vê para além de todas as coisas.

Gosto de olhar para dentro de mim, de vez em quando, descobrir coisas esquecidas...como aquela vez que mergulhei vestida em pleno Outubro nas "Cascatas do Tahiti", quando passeávamos através do Cabril, no Gerês, para ganhar uma aposta e perdi uma das minhas sapatilhas preferidas. Mas valeu a pena...e fez sorrir a minha alma.

Há muito que não olhava bem o meu interior e, verifico agora, que poucas alterações sofreu, não obstante o "tempo" de chuva e sol, alternado por nevoeiros densos e constantes, abalassem a minha estrutura física.

Continuo a "rapariguinha franca e ousada" que não se deixava intimidar por circunstâncias adversas; o elo de ligação ao mundo exterior continua inviolável e inquebrável.

Sorrio...

Sorrio, porque sou frágil em tantas coisas, parece que, por vezes, tudo se quebra à minha volta, como um espelho para onde se atirou uma grande pedra e se desfaz em mil pedaços.

Mas não é assim... o meu lado frágil e sensível continua aliado ao outro, talvez herdado de gerações anteriores, forte, saudável, lutador, rindo-se das suas próprias fraquezas e com uma ânsia tremenda, de ver e sentir, o lado positivo da Vida.

E é neste instante que olho para lá de mim, para a força do mar, o verde esperança da vegetação que abarca o meu olhar, como um pulmão onde o ar se vai renovando a cada ciclo que a minha memória vai buscar nos recônditos do meu Ser e recordo como um dia me impressionaram as palavras de Oscar Wilde:

"As pessoas cujo desejo é unicamente a auto-realização, nunca sabem para onde se dirigem. Não podem saber. Numa das acepções da palavra, é obviamente necessário, como o oráculo grego afirmava, conhecermo-nos a nós próprios. É a primeira realização do conhecimento. Mas reconhecer que a alma de um homem é incognoscível é a maior proeza da sabedoria. O derradeiro mistério somos nós próprios. Depois de termos pesado o Sol e medido os passos da Lua e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, restamos ainda nós próprios. Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma? " in "De Profundis"

Hoje, olhei para dentro da minha alma...

Já olharam para dentro da vossa?

 


Texto escrito na Quinta-feira, de 13 de Agosto de 2009

 

19
Mai10

No aroma dos dias

Pintura de Steve Hanks
 
 
   Existem raízes no tempo das memórias 

mãos de ternura que meu olhar alcançou
nas fragas dos dias de mar serpenteado,

entre a branca espuma de um beijo
que uma gaivota levou. 

O limite do sonho que se solta 
no amanhecer do céu azul,  
ombreia a tela da vida.


Pétala a pétala,

borboletas em flores na paisagem saltitam, 
percorrendo 
na perenidade dos dias quentes, 
o pólen dos girassóis, 
semente em meus dedos, 
eternizando, uma a uma, 
a carícia dos teus lábios 
que em meu corpo perdura. 

Existem raízes no tempo das memórias 
em espelhos de linguagem
 – olhares,  silêncio, ternura -
que sobrevivem no aroma dos dias.