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Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

Alma Minha...

Arquivo de sonhos e memórias.

11
Abr18

Não sei escrever poesia

poesia

Não sei escrever poesia,
digo para comigo.
Como se escreve?- pergunto-me.
Mas se a sinto no coração.
Numa flor.
No sol a pôr-se no mar.
No canto do melro,
na minha janela.
No riso de uma criança,
ao colo de sua mãe.
Na paixão dos enamorados,
nas lágrimas dos abandonados.
No grito do pescador,
quando a rede se enche.
No grito de dor da mãe,
mas quando o filho nasce o recebe
com sorrisos de alegria e esperança.
No mal. No do mundo. Na perversidade de tantos.
Nos que querem a guerra
e, outros, a paz.

Nos homens e mulheres
que fazem da esperança
seu Hino.


Como, não posso escrever poesia?

 

 

Imagem Google

14
Jul13

Reciclagem

Entre o mar e o rio
não há lugar para promessas
dispersas entre grãos de areia
na invariável limpidez 
do inexplicável silêncio

O tempo entre cada margem é longo
e na passagem por elas
os barcos antecipam
 a voragem dos sentidos

Entre a noção e a razão
existe dor e silêncio
intenso 
como a dimensão do mar
terrível 
como a certeza do abandono

Como sal purificador
fluindo na seiva de nós
afastados que somos 
por sonhos diáfanos 
que se espelham
na incerteza da razão
- reciclagem de tempo-
perdido entre risos de veneno
mordidos língua a língua
consagrando 
o húmus da utopia

Reciclagem de sentimentos
tornada leve
como nuvens brancas de algodão.

 in, Olhos de Vida, 

publicação em Livro Digital para iPad
Ilustrações de Catarina Lourenço
disponível em  Livraria Liberdade e  Itunes 
 
 

 

12
Jan12

Dádivas de amor

Vicent Laforete

Na ausência partilhada
existe o silêncio amargo
como bola de fogo
que não se extingue

Sonhos lapidados
alegrias esquecidas
delicadas lágrimas
em flores de amor
jamais floridas

Nas ondas do sonho
imergi minhas emoções
numa melodia doce
onde as sensações se diluem
no corpo do poema

Mistério. Ternura. Saudade.

 Dádivas de amor
na total cumplicidade dos dias idos

08
Set11

DESEJOS DE VIDA

 

Do lado de fora da janela da cozinha chove.
Miudinha, nervosa, como quem pede alimento
para a terra ressequida.

Do lado de dentro florescem flores
que, como música
são alimento do meu sentir
Bebendo uma chávena de café
sentada mesa
vejo o seu belo florir

No recanto da cozinha
alma da casa
alimento do corpo e alma
sinto mais que avisto
as ondas do mar que bradam por mim
a desejarem-me

Ó chuva benfazeja que assentas a poeira dos dias.
Floresçam através de ti mil desejos de vida colorida
e, no arco íris que despontas
com tuas cores, me deslumbres

 

Imagem: As flores, num recanto da cozinha, alheias à chuva, sorriem para mim, na primeira refeição da manhã ♥